Renúncia

(Silvana Duboc)

Um dia eu precisei renunciar,
desistir, me afastar.
Precisei parar de me enganar.
Um dia eu tive que acordar
de um sonho que eu teimava em sonhar.
Tantas renúncias eu já enfrentei,
mas só de uma eu nunca me recuperei.
Renunciar é um ato de coragem
mas de que vale tanta dignidade
e até mesmo a tal vaidade
se na renúncia mora a infelicidade?
Renunciar é, de certa forma, se despedaçar,
se violentar, se sacrificar,
mas quem dará valor a essa nossa decisão?
Talvez poucos a entenderão
pois é apenas dentro do nosso coração
que reside a nossa compreensão.
Só nós conseguimos avaliar
aquilo que não costumamos exteriorizar.
Renúncia é um caminho que ninguém quer escolher
mas que muitas vezes é obrigado a trilhar,
é um caminho que não se deseja conhecer
e é um caminho do qual não se tem como voltar
pois vai sumindo atrás de nós
após cada passo que conseguimos dar.

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